Não existe transferência direta de votos. Não há argumentos cabíveis em alguém ser eleito apenas pelo apoio desse ou daquele político. Até hoje, não ouvi "eu votei no ciclano eleição passada e vou dar meu voto pra fulano, pois ciclano apoia ele". Porém, algum efeito esse apoio tem. Afinal, se a fórmula não funcionasse, nossa presidente poderia não ser do sexo feminino.
Esse apoio chama a atenção e dá visibilidade àqueles candidatos que despontaram na vida pública em cargos administrativos e meramente políticos. Ou seja, aqueles que não são os chamados "candidatos naturais". Geralmente foram "papagaios de pirata" ou pouco apareceram na mídia, independentemente da relevância do cargo.
Outro efeito, é a credibilidade dada ao apoiado. Isso sim tem efeito devastador numa eleição. Exemplos não faltam por ai: Maluf e Pitta em São Paulo; Bernardo Ortiz, Antônio Mário e Roberto Peixoto em Taubaté; Garotinho e Rosinha no Rio; além de Lula e Dilma no Brasil. Todo mundo acredita em algo que alguém já acredita, mesmo que depois os resultados sejam catastróficos.
A eleição para algum cargo executivo envolve outras variáveis. Há candidaturas que surgem espontaneamente, como a do Lula. Ele contribuiu para a redemocratização do Brasil, foi presidente de sindicato, mobilizou pessoas, fundou partido... Assim, naturalmente foi o candidato do PT nas eleições presidênciais a partir de 89. Tanto, que o partido teve que "fabricar" Dilma para 2010, trabalhando com um marketing pesado, algo parecido com Kassab em 2008.
Em São Paulo, Alckmin naturalmente foi o candidato tucano após a morte de Mário Covas e, devido sua gestão, concorreu com Lula em 2006.
Alguns outros se impõem, caso do Serra em 2010 que dividiu o partido e acabou desacreditado. Serra não teve Fernando Henrique Cardoso no seu palanque em 2002, dizem, devido a falta de credibilidade que passaria ao seu eleitorado. Perdeu!
Existem aqueles ainda que simplesmente surgem, por conta do ego ou por questão partidária - os mais recentes estão Netinho de Paula, Skaf e, para 2012, Chalita. Pode ser também pelo desejo de uma classe minoritária. O partido queria um candidato e pronto! Aqui cabe qualquer um do PSTU, do PSOL, do PCO...
Para este ano, em São Paulo, não vai ser muito diferente. Vista como "termômetro" para 2014, a cidade tem papel fundamental na política nacional (?). Segundo os "especialistas", ela define as estratégias e o movimento do eleitor. Ideia ridícula essa! O eleitor brasileiro não pode ser medido pelas decisões de uma cidade que tem características bem diferentes do restante do país.
Enfim, a partir de julho, poderemos ver o espetáculo da democracia brasileira em seu melhor estilo: candidatos se degladiando em pleno horário político, jornais alimentando essa briga, eleitores analisando as propostas (?)... Um show de marketing, uma invasão de jingles repetitivos e toda aquela pirotecnia audiovisual. Ah, vale também o uso do photoshop!

